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Dominique Gonçalves

A cuidadora de elefantes

Ecologista por convicção e cuidadora de elefantes por paixão, assim é Dominique Gonçalves, que ajuda a preservar estes grandes mamíferos, no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique. A protecção da biodiversidade, acompanhada pelo crescimento populacional, são a maior preocupação da jovem que tem presença constante em eventos promovidos pela National Geografic.
Cresceu a ouvir as histórias que o pai contava sobre a Gorongosa. Ali, onde mora o silêncio humano, está o trabalho de Dominique Gonçalves, que faz parte da equipa que monitoriza os oitocentos elefantes que, agora, habitam o Parque. Mas, antes de ter esta vida fascinante, parte de Sofala para Maputo e, na Universidade Eduardo Mondlane, faz a licenciatura em Ecologia e Conservação da Biodiversidade Terrestre. No decorrer de 2014, o Parque Nacional da Gorongosa abre o Laboratório de Biodiversidade e a jovem concorre. «Mandei um e-mail, através do website da Gorongosa, a dizer que gostaria de ter uma oportunidade de estágio, e o Vasco Galante, prontamente, respondeu que, naquele momento, não era possível», relembra a ecologista. Entretanto, o director de comunicação reencaminhou o e-mail ao director científico do Parque, o Marc Stalmans, e, três dias depois, Dominique vê o sonho começar a ser real.
A tese de licenciatura valeu um chá e uma curta conversa onde ficou definido que poderia avançar para um estágio. Porém, o estágio não chegou, quando previsto, e Dominique estava já a meio de um estudo ecológico e social, em Estocolmo, quando é chamada para a Gorongosa. «A Joyce Poole, pesquisadora de elefantes, precisava de uma estagiária, mas eu não podia deixar aquele projecto e não fui», explica a jovem. Mais tarde, é de novo contactada pelo Parque para se juntar a um curso de ornitologia e agarrou a oportunidade. Foi seleccionada e passou três meses nos EUA a estudar aves migratórias. Em terras estadunidenses, Dominique vai ao Jackson Wild Film Festival, que, naquele ano, em 2015, era sobre elefantes, e encontra Joyce Poole. «Tivemos uma grande empatia, acredito que isso me fez mudar das aves para os elefantes, a par com a minha tese sobre médios e grandes mamíferos, e quem não gostaria de trabalhar com elefantes? É fascinante», confessa com a voz a sorrir.

«Quem não gostaria de trabalhar com elefantes? É fascinante.»

Agora, já no Parque Nacional da Gorongosa, além de ajudar a preservar a espécie, leva a sua história de vida aos projectos para raparigas que a Fundação Carr tem com a comunidade. Dominique Gonçalves está, agora, em conjunto com o projecto dos elefantes, a fazer um doutoramento em Biodiversity Management na Universidade de Kent em Inglaterra. É frequente vê-la em iniciativas da National Geografic, onde fala de Moçambique, da admiração que sente pelo trabalho de Greg Carr, o filantropo do Parque da Gorongosa e dos elefantes, por quem sente uma enorme empatia, admirando o conceito de família fomentado pelas matriarcas. E, para Vasco Galante, responsável, em parte, por esta feliz história, a jovem é «um grande exemplo para todos, em Moçambique e no Mundo, de que os sonhos, para serem concretizados, têm de ser perseguidos com perseverança e força de vontade». E Dominique, que ouvia as histórias do pai e sonhava tratar de animais, em 2019, levou a avó a ver, pela primeira vez, os elefantes da Gorongosa.

Cristina Freire
T. Cristina Freire
F. Ivan Agerton