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Mariana Lobato

Mulher, mãe, atleta e… altruísta

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A Vela sempre foi uma tradição de família e, por isso, a primeira vez que Mariana Lobato entrou num barco «tinha meses». A velejadora portuguesa, ainda que tenha granjeado inúmeros prémios ao longo da sua carreira desportiva, como sagrar-se campeã do mundo, em 2013, destaca os Jogos Olímpicos de Londres como um momento alto. «Lembro-me de entrar no Estádio Olímpico com a nossa equipa e a nossa bandeira de Portugal e sentir um grande arrepio de emoção», disse-nos a atleta. Apesar da vida ligada à Vela, «a Mariana é uma pessoa que adora desafios e não consegue ficar parada a olhar», revelou-nos. Talvez por isso se tenha licenciado em Publicidade e Marketing e, antes disso, tirou outros cursos: «Curso de formação de Actores e Vitrinismo, Exposição e Merchandising na Escola de Comércio de Lisboa. Sempre me atraiu a parte de poder criar e desenvolver coisas diferentes». 
Com um dia-a-dia tão cheio e activo, Mariana confessa-nos, contudo, que o maior desafio da sua vida foi ser mãe. «A vida muda tanto, e querermos continuar a fazer tudo, entre treinos e competições, não é fácil. Diria que é preciso muita disciplina para conciliar tudo... e não deixar o tempo de qualidade com eles para segundo plano».

 «Depois do apelo dos médicos sobre a falta de material de protecção nos hospitais, nomeadamente máscaras e cogulas, [decidiu] pôr mãos à obra»

Mas Mariana Lobato é muito mais do que mulher, mãe e atleta. Perante esta inesperada pandemia e «depois de ver o apelo dos médicos sobre a falta de material de protecção nos hospitais, nomeadamente máscaras e cogulas, [decidiu] pôr mãos à obra». Aprendeu a costurar com a avó quando tinha oito anos. Foi-se aperfeiçoando «e fazendo algumas peças caseiras com tecidos que tinha por casa», disse-nos, acrescentando: «nos últimos anos fui fazendo apenas algumas peças caseiras para os meus filhos». Perante este gesto tão nobre, a reacção tem sido de total solidariedade. «Quando me lancei nesta iniciativa, arrisquei e encomendei um rolo de 225 metros para fabricar as cogulas e máscaras. Mas no fundo precisava de ajuda para pagar os materiais. Lancei um apelo nas redes sociais e foi incrível ver a quantidade de gente que apoiou o projecto e ajudou com donativos! Foi essencial e muito motivador para seguir em frente». 
Mariana Lobato acredita que as dificuldades que atravessamos farão de nós pessoas melhores. «Acredito que no meio do caos existe sempre uma oportunidade. E esta pandemia obrigou-nos a parar. E essa paragem mostrou-nos o que é afinal prioritário». Para o futuro ambiciona «saúde, obviamente» e deseja «continuar a trabalhar a resiliência e o desapego, pois não sabemos o dia de amanhã!». E os barcos continuarão, certamente, a fazer parte da sua vida!
T. Maria Amélia Pires
F. Martina Orsini