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· Gourmet · · T. Joana Rebelo · F. Edson Azevedo

Chef Helt Araújo

Numa viagem sensorial por Angola

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Uma infância movida pela curiosidade, em torno de panelas e tachos, foi o que a memória abraçou do passado de Helt. Angolano de corpo e alma, um verdadeiro disseminador da cultura angolana e gerador de novas e diferentes experiências sensoriais, eis o Chef Helt Araújo. Estagiou em diversos restaurantes do mundo, embora a sua formação académica tivesse iniciado em Lisboa, na Escola de Hotelaria e Turismo. Talento e ambição são o que o definem, distinguindo-se pelas suas raízes vincadas e por não se restringir ao que um prato oferece, partindo pela descoberta de sabores noutros campos que envolvam pesquisa e autossuperação.
Levando consigo o país ao peito, o Chef foi distinguido como «Chef do Futuro», pela Academia Internacional de Gastronomia, voltando a erguer a bandeira de Angola quando venceu o concurso mundial de gastronomia. Tal como o seu condimento preferido, o sal, Helt conserva a cultura angolana nos pratos que confeciona, onde a cor, o aroma e a simplicidade prevalecem, gerando um empratado carismático.
Atualmente, o Chef coordena a equipa CHA (Chef Helt Araújo), atuando em diversos projetos como o Catering Palatum, catering de aviação privada e eventos intimistas, a Flor do Duke, o seu primeiro restaurante de assinatura na Ilha de Luanda e a Marina Baía, o seu primeiro projeto de assinatura para um hotel. O sustento do seu trabalho não se encontra na tecnologia, como se poderia esperar, mas sim na criatividade, no conhecimento e no espírito de trabalho e entreajuda. Para a sua equipa, o Chef do Futuro transmitiu os valores de compromisso, integridade e valorização, ingredientes secretos para contar uma história emotiva e genuína. O propósito é o fator de união da CHA, traço que espelha a sinfonia harmoniosa dos pratos confecionados pela equipa. Aos olhos de Helt, um Chef do mundo contemporâneo deve estudar e ensinar, saber lidar com um elevado nível de stress e ter espírito de liderança para servir como leme da sua equipa. Na verdade, já não se trata de um ofício bem delimitado. Atualmente, a profissão já exige polivalência e versatilidade para que o sucesso bata à porta.

A sustentabilidade e a gestão de desperdício ainda são um grande desafio

O profissional de cozinha partilha de uma visão objetiva sobre o futuro da sua área, garantindo que o fado da gastronomia envolve a comunhão entre tradição e inovação, uma vez que «ambas proporcionam a narrativa, a ligação emocional e a forma como o prato transmite a mensagem aos clientes». Aliás, a cozinha moderna é já dinâmica e evolutiva, mas Helt considera importante a aposta na reinvenção do produto nacional, com o intuito de gerar «soluções tanto criativas quanto ousadas». Engana-se quem associa inovação a complexidade, que o diga o Chef, que esclarece ser mais difícil fazer um prato com menos ingredientes do que com mais técnica e condimentos.
Embora seja importante sonhar com o futuro, Helt Araújo está de pés bem assentes no chão, com objetivos e planos bem delineados, seguindo sempre a mesma máxima: respeito pelo ingrediente, assim como por toda a sua cadeia de sustentabilidade. Por muito que a cozinha esteja em grande velocidade e em constante mudança, com tendências fortes e modas duradouras, não pode cair em esquecimento que gastronomia é cultura e valorização do património, tal como não se deve desconsiderar que a «preservação do ambiente, como fonte de todos os processos produtivos, carece de uma reflexão profunda de todos nós, consumidores». De facto, a sustentabilidade e a gestão de desperdício ainda são um grande desafio para o ramo.
De olhar crítico, o Chef julga que Angola deve investir na promoção de produtos nacionais, difundindo a cultura gastronómica pelos quatro cantos do mundo. Quiçá seja este o segredo do sucesso, quiçá seja esta a direção necessária para a concretização do sonho de uma vida como ter um espaço referenciado pelo The World’s 50 Best Restaurants. Ainda assim, Helt vive um dia de cada vez, mas sempre ciente de que o erro é necessário para o aperfeiçoamento, inspirando-se, ao longo do caminho, em Chef’s como João Rodrigues e Alex Atala e, sobretudo, no coração multicolor e alegre da sua pátria.
T. Joana Rebelo
F. Edson Azevedo
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