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Henrique Salvador

«Não precisei do mundo digital para maquilhar a Paris Hilton»

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Leal à paixão pelo mundo artístico da maquilhagem, Henrique Salvador recorda os seus 34 anos de experiência profissional, passados junto a figuras icónicas como Paris Hilton, Fabio Porchat e Susana Werner. Em entrevista à V&G, o maquilhador fala dos seus projetos e inspirações, mencionando também a decadência da área da moda em Portugal. Entre outros temas, explica o caráter luxuoso da sua carreira, em constante contacto com celebridades e, como não poderia faltar, revela algumas dicas para uma verdadeira make-up de luxo, dependente, em grande parte, da utilização de produtos de qualidade como Chanel e Dior.  
Quem é o Henrique Salvador?
Sou uma pessoa muito ativa, adoro o trabalho e gosto de ser pontual em qualquer circunstância. Cresci numa época boa, embora o ramo da maquilhagem ainda não fosse bem visto na altura, uma vez que havia poucos homens a desempenharem a função de maquilhadores. Nasci em 1970 e os loucos anos 80 fizeram com que visse muitas revistas Bravo!. Houve também muitas figuras que me influenciaram a descobrir o mundo da maquilhagem como, por exemplo, Boy George, Cyndi Lauper, Madonna e Michael Jackson.

Pode falar-nos um pouco do seu percurso profissional?
A partir das maquilhagens espantosas que via nas revistas, tentava executar o mais parecido possível em mim. A minha paixão pela maquilhagem crescia dia após dia. Ainda nessa altura, tive a possibilidade de conhecer a Ana Salazar, a primeira personalidade da moda portuguesa. Comecei por trabalhar para ela como vendedor de loja, aos 17 anos, e, mais tarde, a frequentar os desfiles ao seu lado. Até que um dia, por acaso, a maquilhagem das modelos não estava como desejavam e tentei executar eu o trabalho, o que acabou por resultar. A partir daí, maquilhei muitas vezes a Ana. Comecei, depois, a lançar-me no mundo, a fazer de tudo: trabalhar com estilistas, escolas de manequins, viajar, maquilhar noivas por todo o país, dar aulas, fazer uma série de workshops... nunca disse ‘não’ a nada, durante todo o meu percurso profissional. Criei laços com muitas figuras públicas, tive o privilégio de trabalhar para o Filipe La Féria, quando criei o espetáculo sobre a Amália, fiz a Gaiola das Loucas com o José Raposo, trabalhei num musical que incluía a atriz Rita Pereira, fiz o desfile da Dolce & Gabbana em Portugal, enfim, cheguei a ter 60 desfiles anuais. Tenho, ainda, experiência no cinema, já fiz quatro filmes, trabalhei com a primeira-dama de Angola e também no batizado do filho do Cristiano Ronaldo. O meu trabalho tem-me dado o privilégio de enfrentar desafios e de estar em constante contacto com figuras conhecidas. Atualmente, já acompanho também outras gerações e noto que algumas coisas mudaram na área da moda. Há muita menos moda em Portugal, temos a ModaLisboa e ficamo-nos por aí. Antigamente, existiam desfiles por todo o lado.

Há alguém que o inspire na área da maquilhagem?
Não vou buscar inspiração a outros maquilhadores, embora goste de ver os seus trabalhos. Mas tenho os meus amigos em Portugal que me inspiram. Repare, numa altura em que não existiam redes sociais ou inspirações, tive de aprender tudo o que precisava de forma independente. Ainda hoje, não vivo da tecnologia, vivo apenas do meu trabalho. Não precisei do mundo digital para maquilhar a Paris Hilton, por exemplo.
«Nunca disse ‘não’ a nada, durante todo o meu percurso profissional»

Através do seu trabalho, quais foram as figuras mais ilustres que teve contacto?

A mais famosa foi a Paris Hilton, mas também personalidades brasileiras como Cláudia Raia, Susana Werner, Fabio Porchat e Miá Mello. No que toca a figuras portuguesas, destaco a Rita Pereira, Teresa Guilherme, Wanda Stuart, Ruben Rua, Manuel Luís Goucha, Eunice Muñoz, Claúdia Vieira e muitos outros. Mas, mesmo perante figuras conhecidas, nunca fiquei nervoso. Ainda assim, a única personalidade que gostava de ter tido a oportunidade de maquilhar era a Amália, adorava tê-la conhecido.

Que características precisa de reunir um maquilhador de sucesso?
Bem, exige muito trabalho, mas há sempre condicionantes. Para mim, sucesso é trabalhar e não ficar à espera de ter sucesso, porque hoje posso ter trabalho e amanhã já não. É trabalhar, trabalhar e trabalhar.

Fale-nos do futuro, que planos tem?

Nunca fiz planos, aliás, eu sigo-me pelo lema «não faças planos para a vida porque a vida tem planos para ti». Claro que organizo a minha vida, mas as coisas vão acontecendo. Sempre deu certo assim.
«Sucesso é trabalhar e não ficar à espera de ter sucesso»

Para uma ocasião especial, sombras mais carregadas ou um batom marcante?
Depende, quando são lábios bonitos, investe-se num batom, mas também depende da ocasião. Gosto de maquilhagem dos anos 80, de uns olhos bem realçados. Se queremos destacar os olhos, não salientamos os lábios, e vice-versa.

Quais são os ingredientes secretos para uma make-up de luxo?
Em primeiro lugar, bons produtos de skincare. Uma pele bem limpa e hidratada, seguida de umas gotas hidratantes. Depois, aplicar uma pré-base adequada ao rosto da pessoa, não gostando de sobrecarregar a pele para não alterar os seus traços faciais. A etapa final depende da preferência do brilho, assim com do estilo da própria pessoa e do contexto em que se vai inserir. Eu sou bastante seletivo, só uso produtos de qualidade. O artigo tem de ser bom, ou seja, ter durabilidade e proporcionar conforto à pele. A maquilhagem de luxo faz, definitivamente, a diferença. 

Há alguma circunstância apropriada para aplicar um batom vermelho?
O batom vermelho deve aplicar-se sempre. Às vezes, basta a pele hidratada conjugada com um batom vermelho para fazer magia.  

Consegue nomear as melhoras marcas de maquilhagem já utilizadas por si?
 
Gosto de Giorgio Armani, Chanel e Dior. Estou muito ligado à marca Inglot, no que toca a batom à Planeta Mulher e, ainda, Sisley e Caudalie para skincare.
T. Joana Rebelo
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