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Freixo de Espada à Cinta

Cenário de sonho e de grandeza

Villas&Golfe Pub.
F. Tiago Sapage
Vista aérea do Freixo de Espada à Cinta
Lá longe, detrás dos montes, mas cada vez mais perto, eis Freixo de Espada à Cinta, uma terra onde o fascínio geográfico e humano começa e o país acaba. Acastelam-se montes e planaltos, rasgados por um vale fluvial profundo que acalma e refresca o olhar. As flores das amendoeiras pintam de branco as encostas, os laranjais perfumam a paisagem e a vinha anuncia a Região Demarcada do Vinho do Porto. O imponente rochedo do Penedo Durão, as estratificações silúricas do Candedo, ou as arribas do Douro em Lagoaça, Mazouco ou Ligares, concorrem para tornar este concelho num entusiasmante local de vida e cultura.
Colado a Espanha e debruado pelo Douro, Freixo de Espada à Cinta é a terra natal de Guerra Junqueiro e, dizem, o concelho mais manuelino de Portugal. Mas esta terra raiana tem outros encantos, alguns deles enraizados na História e na alma das suas gentes. Ser o único município da Península Ibérica onde se continua a trabalhar integralmente a seda artesanal é já de si portentoso, mas a magnificência das paisagens, nas quais se destaca o Rio Douro, os miradouros, ou as arribas, são talentos naturais que uma qualquer entidade suprema e generosa ofereceu aos freixienses. 
Pequena, mas graciosa, a vila surpreende pelo seu cuidado centro histórico.
Pequena, mas graciosa, a vila surpreende pelo seu cuidado centro histórico. A Praça Jorge Álvares, pontuada pela estátua deste navegador português, é a sala de visitas da terra, enquadrando alguns dos edifícios mais notáveis, como a Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia e a Torre do Galo, vestígio do castelo medieval. Percorrendo a pé as ruas históricas, é possível admirar os inúmeros portais quinhentistas. Junto ao cruzeiro de estilo manuelino, uma calçada leva-nos à praia fluvial da Congida (um pequeno paraíso).
Freixo presenteia-nos com o Miradouro do Carrascalinho, na freguesia de Fornos, ou o Miradouro Penedo Durão, onde as escarpas quase caem a prumo sobre o Douro, as vistas se espraiam Espanha adentro e onde se ouve o vento e… o silêncio. Na primavera as amendoeiras vestem-se de gala, talvez para enfeitar as mesas fartas de gulosas iguarias e de encorpados néctares de Baco… ou ainda para agradecer às suas gentes, simples e guerreiras, que buscam o futuro neste cenário de sonho e de grandeza.

F. ©PMC
F. Tiago Sapage
T. Maria Amélia Pires