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· Karts · · T. Maria Cruz · F. Daniel Camacho / Direitos Reservados

Maria Germano Neto

A menina-prodígio que leva Portugal ao Mundo 

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«Isto de ficar a três décimos...», assim começa a nossa conversa. É claro que muitos, que nada entendem sobre o universo dos karts, quase ou nada entenderiam até a ver sobre rodas e em pista. Convidámos Maria Germano Neto para uma experiência com a equipa Villas&Golfe, no Kartódromo Internacional de Braga, onde ela muitas vezes já treinou. Podemos dizer que o desafio foi bem-sucedido. Venceu-nos. E venceu-nos tal como já venceu várias etapas nacionais e internacionais (Portugal, Espanha e Itália). Maria, hoje com 10 anos, é exemplo vivo de que o mundo é pequeno demais para tão grandiosos talentos, como ela. É a mais jovem piloto nacional de sempre no karting. Gosta de trabalhar em equipa. E imagina-se, nos próximos anos, nas pistas internacionais. E, nesta volta tão curta, pedimos à Maria para avaliar a nossa prova, dentro de pista... «Para primeira vez, pareceu-me bem», confessa ela, acrescentando que «nunca pode haver medo», porque esse é o segredo.

Maria Germano Neto é a mais jovem piloto de karting nacional. 
Maria Germano Neto tinha apenas 5 anos quando se viu sentada, pela primeira vez, num kart. Estávamos em setembro de 2016. Acompanhava o seu pai Germano Neto, advogado de profissão, e seu fã n.º 1, numa visita ao kartódromo de Fafe, no norte de Portugal, quando lhe é dada a oportunidade de se sentar ao volante de um brinquedo de quarto rodas. Deu oito voltas à pista. Ganhou de tal modo gosto pela modalidade que nunca mais largou os karts. Passadas três semanas, sensivelmente, foi participar numa corrida a Leiria. Foi a primeira estreia da Maria. De seguida, fez a final da Taça de Portugal de Karting, no ano de 2016, e vence (foi a segunda menina a ganhar uma Taça de Portugal, e a mais nova de sempre). «Numa das provas, estava a chover torrencialmente, a Maria estava lá, pela primeira vez, e apresentou sete segundos por volta, a todos os participantes», conta o pai.
No ano seguinte, a Maria sobe de categoria, deixa a de iniciação, e passa a ter ainda mais motivação e eis que se senta num kart mais proeminente. Foi um ano muito difícil, porque havia miúdos muito mais velhos do que ela, com 7 a 10 anos, e ela era a mais pequenina, tinha 6 anos. Houve uma adaptação. A Maria foi convidada a fazer umas corridas em Espanha, pela Praga Racing Team, e correu nas finais Mundiais IAME, em Le Mans. Em Espanha, logo na primeira corrida, a Maria impressionou os olhares mais atentos. É aí que a Maria é convidada para integrar a equipa do Fernando Alonso, na FA Racing Spain. Em Espanha, conquista o lugar no pódio, em 2017 – fica em primeiro –, tornando-se, assim, a menina mais nova de sempre a ganhar uma corrida naquela categoria, com 7 anos. Em Espanha faz três pódios consecutivos (três corridas: uma, em terceiro; outra, em primeiro, e outra, em segundo lugar). 

A Maria foi a segunda menina a ganhar uma Taça de Portugal, e a mais nova de sempre.
A Maria bateu vários recordes em pista, sendo que, por vezes, treinava um fim de semana antes da prova, mas, no dia, surpreendia todos com a sua força e perspicácia.
Já se passaram cinco anos, desde que esta aventura começou, e estamos certos de que ela veio para continuar, porque a Maria vive profundamente este desporto e tem ao seu lado um pai, uma família, uma equipa, e muitos fãs, que a fazem levar avante este sonho de menina. Vai longe. Muito longe. É uma guerreira e uma vencedora. Não só no pódio, mas na vida também. A Maria viaja muitas vezes sozinha, devido à profissão do pai, que nem sempre a pode acompanhar, mas que, mesmo estando longe, vibra pelo sucesso da filha e se orgulha da «‘mulher’ em que ela se transformou». A Maria vai sempre acompanhada por membros da equipa. Conhecemos o mecânico Jorge Barbosa, mais conhecido por «Jorginho», que a acompanhou vários anos e assistiu a várias conquistas desta pequena campeã do mundo. E também ele se orgulha da pequena Maria. «Ganhámos, em 2019, o Open Bombarral e fomos Campeões Nacionais», recorda Jorge, referindo ainda que «normalmente, para ela não perder o ritmo, treinávamos noutras pistas, como em Braga e em Viana do Castelo. O sucesso vem daí, de muito trabalho. É muito gratificante uma pessoa estar a olhar para uma miúda destas e vê-la a crescer».

Em Espanha, conquistou o lugar no pódio, em 2017, tornando-se na menina mais nova de sempre a ganhar uma corrida. 
E como se comportará esta força da natureza em pista, perguntam?! «Quando pego no kart: ligo, acelero, travo e viro», assim define a Maria a sua condução. «E quando há uma derrapagenzinha é só endireitar o volante», conclui. Parece fácil. Mas não é. Pela nossa experiência em pista, comprovámos que não é assim tão fácil. É necessária muita agilidade e confiança. E isso ela tem. Mesmo em dias de chuva, com piso molhado, ela aventura-se. De cabelos ao ar, ultrapassa os 100 km de velocidade. Medo é palavra que não existe no seu dicionário. E nervos também não. Foca-se no objetivo: vencer. E tudo acontece. 
No início era por diversão, hoje é pela paixão de conduzir os karts que a Maria enfrenta os desafios. Não treina diariamente, porque também tem de conjugar as aulas com a atividade, mas, sempre que possível, passa muito do seu tempo a trabalhar esta vocação e esforça-se para novos mundos conquistar. 
A Maria é muito atenta. Ouve toda a equipa, desde o staff, aos mecânicos e a todos que a acompanham. Quando está fora de Portugal, tem sempre quem lhe traduza os diferentes idiomas e algumas palavras já foi aprendendo ao longo destes anos. Passou muito tempo em Espanha, onde se consagrou campeã. Atualmente está na equipa DR Racing Kart, em Itália, que a convidou para um treino, depois para uma corrida, e onde ficou. Já integra a equipa. A exigência é maior, mas ela está preparada. Agora está numa equipa que lhe trará perspetivas de futuro (na DR tem a Fórmula 4 e Fórmula 3).  

A 9 de maio, de 2021, a Maria conquistou mais um título:  a Pré-final P1 e a Final P1, em Itália
Todo este sonho de menina só é possível com o apoio incondicional do pai. «Devia tê-la levado para o ballet, a esta altura já tinha três Aston Martin» (risos), confessa este pai orgulhoso.  «O investimento nesta modalidade é elevado, e, a princípio, ainda foi mais, porque agora as condições já se tornam mais especiais para a Maria e, com o apoio de patrocinadores, este sonho continuará a realizar-se. Há quem chegue a gastar, por época, 300 mil euros; somando estes valores, em anos, até passarem a profissionais, é um investimento grande». E um investimento de 1 milhão não está ao alcance de todos, por isso é que todo o apoio que a Maria recebe, daqueles que acreditam no seu sucesso, é bem-recebido e terá, com certeza, o seu retorno. Não é por acaso que ela é uma menina-prodígio. Grande parte dos meninos que acompanham a Maria neste mundo do karting são de famílias russas, árabes ou chinesas, famílias com poder económico. A dimensão da realidade da Maria é diferente, e, por isso mesmo, é ainda mais motivador. A Maria está completamente integrada na equipa da DR Racing Kart, e já conquistou, no passado dia 9 de maio, mais um título: a Pré-final P1 e a Final P1, em Itália. A Maria está a ser preparada para o futuro risonho que a espera e está no centro do mundo do karting, em Itália.
Já se despistou, capotou e foi parar ao hospital, mas logo se levantou e regressou às pistas. Já chorou, já sorriu e já conquistou um lugar nos nossos corações. Esta é a mais pequena força da natureza, e chama-se Maria. 
Maria Cruz
T. Maria Cruz
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