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· CEO da Bulhosas · · T. Joana Rebelo · F. André Rolo

Alberto Bulhosa

«Fazer igual aos outros é impensável para nós»

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Fundada pelos avós de Alberto, a Bulhosas é uma empresa familiar com mais de 85 anos de história, onde tintas, papéis e máquinas fazem o progresso do negócio. É lá que o papel conta histórias e se imprime de quotidiano, ganhando vida. Os colaboradores evoluem com os tempos e as gerações que vão chefiando respeitam a tradição. Talvez seja tempo de conhecer o legado que perdura, hoje, sob a alçada de Alberto Bulhosa.  

Alberto Bulhosa é o rosto da terceira geração da Bulhosas. Qual é a sensação de carregar mais de 85 anos de legado?
É uma sensação paradoxal. Um motivo de orgulho, como é óbvio, já que a duração de uma empresa diz respeito aos fatores externos e ao contexto dos mercados nacionais e internacionais, mas também está relacionada com o património interno, com os recursos humanos com que temos vindo a trabalhar, desde os nossos colaboradores, a fornecedores e clientes. Poder dizer que tudo isto, apesar dos inevitáveis problemas diários, tem resultado, é motivo para estarmos todos de parabéns. No entanto, o legado de tantos anos de existência implica uma inevitável responsabilidade em dar continuidade ao trabalho que foi feito pelos nossos antepassados, assim como garantir que os colaboradores mais antigos, e que aqui trabalham desde a geração anterior, sejam valorizados e apoiados na evolução tecnológica e nas exigências frenéticas dos tempos atuais. 

Ao nível do mercado das artes gráficas, de que forma é que a empresa aprendeu com o passado e se tem preparado para as exigências do futuro?
Fazer igual aos outros é impensável para nós. Se estão todos a ir para um lado, então, escolheremos o outro. Nem sempre é fácil remar contra a corrente, tanto no que diz respeito aos preços da concorrência, como na área da inovação. Por exemplo, nem todos os clientes nacionais estão dispostos a arriscar com uma solução disruptiva, verificando-se um certo medo de mudança, talvez pela mentalidade portuguesa ser um pouco avessa ao desconhecido. Embora estar um passo mais à frente possa ser, inicialmente, um motivo para nos sentirmos incompreendidos, esta postura tem-nos servido de prevenção futura para atuarmos da melhor forma, quando algumas questões inesperadas se levantam. 

Desde a indústria alimentar à vertente da cosmética, a Bulhosas atua em diferentes e variadas áreas. Quais os desafios diários de uma empresa polivalente como esta?
É precisamente esse o grande desafio do nosso trabalho. A polivalência implica sempre uma grande capacidade de flexibilidade. Ora, por sua vez, a flexibilidade implica aceitar que existirão desafios diários que precisam de ser solucionados com rapidez, por isso, um dia nunca será igual ao anterior, nem ao seguinte, o que significa que, apesar do nosso tempo de existência, nunca temos um processo de trabalho estagnado, nem somos donos de certezas e de realidades estáticas. Lidamos com tintas, papéis, máquinas e clientes muito diversos, de dimensões e áreas muito diferentes, o que significa que temos uma variedade de fatores enorme em toda a cadeia de fabrico. Por vezes, é caótico, não há como negar, mas a adrenalina também faz parte do nosso ADN, e quem passa pela nossa empresa ganha, definitivamente, estaleca para navegar com o imprevisível.

«Sem o potencial do cérebro humano, as máquinas são totalmente obsoletas»
Em 2019, a empresa recebe o Prémio Nacional Inovação, atribuído pela Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas (APIGRAF). O segredo para o sucesso está na aposta em tecnologia de ponta?
Na verdade, um dos nossos últimos investimentos está relacionado com a Inteligência Artificial, associada ao controlo da qualidade e a uma maior agilização do trabalho dos nossos colaboradores na deteção de produção não conforme. Por isso, sim, a tecnologia de ponta é essencial, mas, sem o potencial do cérebro humano, as máquinas são totalmente obsoletas. A conjugação dos dois será sempre o segredo para o sucesso e, se o futuro implicar realmente a independência total da tecnologia em relação ao ser humano, o mundo perderá perder a beleza das parcerias e o fator emocional como catalisador dos momentos «heureca».  

E como se faz uma gestão humanizada e sustentável num mercado como o de hoje, em constante transformação?
No nosso caso, numa empresa familiar com mais de quarenta trabalhadores, não é difícil humanizarmos a gestão. Não nos identificamos com a numeração de pessoas, como acontece com as grandes empresas, e há casos de funcionários que, inclusivamente, têm alcunhas relacionadas com os nomes das máquinas em que operam, num sentido de humor muito próprio por parte de um grupo que se conhece bem. Alguns impressores têm os filhos a trabalhar também connosco, outros conhecem a administração desde o tempo da escola, por isso, há uma inevitável humanização no núcleo de pessoas com quem trabalhamos. Neste desafio de fazer parte das necessidades e exigências da indústria contemporânea, temos também de saber conciliar o processo produtivo com o fator sociológico de quem trabalha connosco. A nossa preocupação com a sustentabilidade será, acima de tudo, uma preocupação com o futuro da nossa equipa. 

Como prevê o futuro da indústria gráfica, em Portugal?
Tudo o que é consistente, ao longo da história da Humanidade, conseguiu perdurar até hoje. A nossa crença no potencial da indústria gráfica é grande, por isso, o futuro será, com certeza, equivalente aos alicerces que nos sustentam.
Joana Rebelo
T. Joana Rebelo
F. André Rolo
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