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António Trindade

«Fazemos para que, num ambiente sem ‘gorduras’, seja fresco e divertido trabalhar»

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Estava precisamente a iniciar a prática de advocacia no continente, onde se formou, quando o pai lhe pediu que regressasse à Ilha da Madeira e assumisse o comando dos hotéis da família, durante um curto prazo, enquanto os diretores do grupo Dorisol foram para abrir outros espaços. A tarefa, prevista para seis meses, transformou-se em 14 anos. A culpa tem tradução numa expressão portuguesa, amplamente conhecida: António Trindade ‘tomou-lhe o gosto’. Mas a verdade é que também tinha competência para o cargo. Tanto que, ao fim desse tempo, decidiu voar e lançar-se por conta própria, com outros acionistas. É assim que surgem, em 1988, os primeiros projetos do atual Grupo PortoBay, do qual António Trindade é Presidente do Conselho de Administração. Com hotéis na Madeira, Brasil e Algarve, é o grupo hoteleiro português mais premiado internacionalmente. Apesar disso, o seu CEO é um homem de trato fácil, ‘sem gorduras’, que aprecia uma boa conversa com os funcionários. E entre sonhos e opiniões, acaba sempre por deixar escapar o óbvio, a sua paixão pela terra que o viu nascer. Foi deputado à Assembleia Legislativa Regional da Madeira e, por duas vezes, à Assembleia da República. Sabe o que é fazer parte da Associação Comercial e Industrial do Funchal. Gosta de ler Portugal e o mundo. E de compromissos sérios pela mudança. Nisso é tão irrequieto hoje como o era na juventude.

Jurista, gestor, político, dirigente associativo, empresário, etc. O que é que ainda não fez na vida e gostaria de fazer?
Apesar de a esperança média de vida crescer exponencialmente ano após ano, o que o mundo nos coloca à disposição para experienciar evolui a uma velocidade ainda maior. Para um cidadão que se queira manter ‘vivo’, a escolha pelas alternativas que diariamente se lhe colocam é tão grande que tem de, permanentemente, fazer opções sobre o que ‘ainda’ quer fazer. Como gosto muito de criar, reconheço alguma frustração em não ter no meu curriculum académico a formação em arquitetura…

Esse extraordinário percurso de vida fez com que, a dada altura, fosse concorrente do seu próprio pai, quando, na década de 80, deixou a gestão da empresa de família e se lançou com sócios no seu próprio negócio. Foi uma decisão difícil? Como reagiu o seu pai? 
A minha opção profissional deu-se em 1973, quando, ao iniciar a minha prática de advocacia, o meu pai me pediu para dirigir os hotéis da família, durante um curto prazo. Essa ‘curta’ experiência de seis meses durou 14 anos e, naturalmente, houve um tempo em que quis constituir um grupo hoteleiro, juntamente com outros acionistas, que acreditaram no projeto. É assim, e sem ressentimentos familiares, que surgem em 1988 os primeiros projetos daquele que viria a ser o Grupo PortoBay.

Quando era jovem queria mudar o mundo. Chegou até a ser marcado pela PIDE como um suspeito revolucionário. Hoje ainda mantém esse espírito? O que é que o tira do sério e quais os temas que ainda o levam a querer mudar o mundo? 
Nasci e vivi num ambiente de oposição ao regime do Estado Novo. O meu pai, um existencialista assumido, teve sempre a preocupação em passar aos filhos e netos a sua visão da democracia. E por isso, ainda hoje, relembro bem e com alguma saudade, a irrequietude salutar da minha juventude. Hoje, considero-me um social-democrata, com reflexões feitas sobre o que deverá ser reservado ao Estado e quais as responsabilidades e setores que devem ser assumidos prioritariamente pelos privados.

«Considero-me um social-democrata, com reflexões feitas sobre o que deverá ser reservado ao Estado e quais as responsabilidades e setores que devem ser assumidos prioritariamente pelos privados»

Diz muitas vezes que o facto de ter estado em cargos políticos o ajudou a abrir horizontes e a sair da visão egoísta de empresário. Que significado tem essa frase? Com ela fez mais amigos ou inimigos?
Tenho do político a visão que este deverá ser o eleito pelos cidadãos para defender a equidistância de interesses da comunidade que representa. O mesmo não pode ser exigido ao empresário, que tem por prática e objetivos prioritários a defesa da sua empresa. A conjugação destas duas experiências ajuda, e muito, a ter uma visão mais abrangente por parte do empresário, nos meios onde está inserido. Porque, mais do que amizades, é a contribuição para o respeito e consideração dos seus pares que está em jogo.

É dito que gosta de manter um trato simples e próximo com as pessoas, nomeadamente com os seus funcionários. A estratégia e sucesso do grupo PortoBay deve muito à sua visão de empresário, mas também ao ser humano que é? 
Duas siglas: PPP (Produto, Promoção e Pessoas) e FFF (Fit, Fresh and Fun) caracterizam os nossos objetivos e maneira de estar. Ter, por um lado, os melhores produtos, assentes na melhor promoção e inseridos nas melhores redes de distribuição, mas sobretudo sustentados por pessoas (equipas), que sabem partilhar os seus objetivos pessoais com os do Grupo PortoBay. E tudo fazemos para que, num ambiente sem ‘gorduras’, seja fresco e divertido trabalhar.

Pode dizer-se que foi um dos madeirenses que mais contribuiu para o crescimento da ilha. Neste momento, o grupo pondera abrir mais hotéis ou empreendimentos turísticos?
É natural que o período que atravessamos não seja o mais propenso a grandes ritmos de crescimento, sobretudo envolvendo investimento de raiz. Temos, contudo, a convicção de que deveremos crescer em Portugal, nomeadamente em dois projetos fortemente diferenciados, em Lagos e no Funchal.





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