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José Manuel Durão Barroso

«Há uma absoluta necessidade de combater as alterações climáticas»

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Chairman e diretor não-executivo da Goldman Sachs International, sediada em Londres, um dos maiores bancos de investimento do mundo, e presidente da Aliança Global para as Vacinas (GAVI), organização que assume atualmente grande importância devido à pandemia provocada pela COVID-19, o nome José Manuel Durão Barroso dispensa apresentações. Nestes últimos 20 anos, o ex-primeiro-ministro chegou onde mais nenhum português tinha sonhado: a presidente da Comissão Europeia. E durante dois mandatos consecutivos. Reconhecido com vários graus honorários, recebeu mais de 60 condecorações, prémios e distinções. Certamente, um dos percursos profissionais mais extraordinários do país e um dos homens mais influentes do mundo.

Se lhe fosse possível eleger, quais seriam os momentos que mais marcaram o país e o mundo nestes últimos 20 anos?
O momento que mais marcou Portugal foi o pedido de ajuda que teve de fazer à União Europeia (UE) em 2011, na sequência da situação de quase insolvência em que se encontrava, a qual só foi possível resolver graças ao programa de financiamento estrutural acordado com a UE e que Portugal viria a executar de modo exemplar, conseguindo a chamada ‘saída limpa’, em 2014. Esta foi uma crise que podia ter levado Portugal a uma situação de falência e de completo descalabro financeiro, mas que, com sentido de responsabilidade nacional e com a solidariedade europeia, foi possível ultrapassar.Quanto ao mundo, o momento mais decisivo dos últimos anos foi o desencadear desta terrível pandemia de COVID-19, que já matou muitos milhões de pessoas e que, infelizmente, continuará a vitimar bastantes mais. A verdade é que os governos não estavam preparados para uma pandemia com esta dimensão. Esperemos que se retirem todas as lições e que, no futuro, se evitem erros que desta vez foram cometidos.

Profissionalmente, qual foi o momento mais decisivo para si nestas duas décadas?
Para mim, o mais decisivo foi a eleição para presidente da Comissão Europeia, eleição que se verificou por duas vezes no Parlamento Europeu, o que, até agora, não aconteceu com mais nenhum presidente daquela instituição. Teve também o significado de ser o mais alto cargo internacional, até então, ocupado por um português. Nessas funções, o momento mais significativo e inesquecível foi aquele, em dezembro de 2012, em que tive a honra de, em nome da UE, receber o Prémio Nobel da Paz e fazer o discurso formal de aceitação.

Qual seria, no seu entender, a mudança mais urgente que o país e o mundo precisariam operar nos próximos 20 anos?
É um lugar-comum dizê-lo, mas é verdade, há uma absoluta necessidade de combater as alterações climáticas, atingindo a chamada neutralidade em carbono. Sem isso, ficarão severamente ameaçadas as formas de vida no nosso planeta. No que diretamente se refere a Portugal, a prioridade deverá ser a de aumentar a produtividade e a competitividade da nossa economia, porque a verdade é que temos vindo, constantemente, a perder posições no campo europeu quando comparamos a nossa situação com países que chegaram à UE mais tarde e que tinham um nível de desenvolvimento mais baixo. Se não melhorarmos significativamente o nosso desempenho económico, não só Portugal ficará relativamente mais pobre, como também haverá menos condições para a justiça social e o desenvolvimento cultural de que os portugueses tanto precisam.
T. Filomena Abreu
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