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José Manuel Fernandes

Alterações climáticas: firmeza e gradualismo

José Manuel Fernandes

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Da invasão da Ucrânia: Algumas breves reflexões.

António Rebelo de Sousa

Economista

António Rebelo de Sousa
Existem, como é natural, várias teses sobre a invasão da Ucrânia pela Federação Russa.
Todavia, manda a análise objetiva reconhecer algumas evidências. A primeira, consiste no facto de, inegavelmente, a Rússia ter desrespeitado o Direito Internacional. Trata-se de algo inegável, mesmo para o analista mais conivente com a estratégia russa. A segunda, tem que ver com o facto de ser inverdade o argumento da existência de razões históricas que assistem à Rússia, resultantes da «estratégia de cerco» da NATO em relação ao país, até agora, liderado por Putin, dando-se a ideia de que o essencial de toda a problemática tem que ver com a segurança territorial daquele país, potencialmente ameaçado pelo Ocidente.
Ora, mesmo que não tivesse ocorrido um «avanço da NATO» para países da outrora Europa de Leste, os russos entenderiam sempre, sob a liderança de um autocrata como Putin, que o alastramento de regimes democráticos para Leste constituiria uma ameaça para a sobrevivência de um regime ditatorial na Rússia: haveria, na sua vizinhança, um conjunto de partidos democráticos que criticariam a «ordem interna russa», que apoiariam os opositores existentes naquele país e isso seria suficiente para um regime autocrático considerar que se estava confrontado com um problema de segurança nacional.
Putin sabe muito bem que a NATO nunca tomaria a iniciativa de atacar militarmente a Rússia, mas também sabe muito bem que os partidos democráticos europeus, incluindo os da Europa de Leste, apoiarão sempre a oposição a um regime ditatorial russo, tentando contribuir para uma ulterior subversão do regime liderado por Putin.
O que Putin, verdadeiramente, receia não é o ataque militar da NATO, mas antes a «subversão democrática» que poderá vir a partir da Europa.
A terceira reflexão tem que ver com o facto de a Rússia exercer, desde há muito tempo, um poder imperial de tipo «territorial» e não tanto «em rede», com as limitações daí decorrentes.
Para Putin não basta ter influência económica, étnica e cultural numa região. É, também, preciso «pisar o território» com as ‘botas’ do próprio exército e nomear um Governador-Geral.
A quarta reflexão tem que ver com uma certa dinâmica de «fuga para diante» do atual «império Russo», sabendo-se como a mesma se inicia, mas não como poderá acabar. E essa dinâmica atingiu contornos que estão muito para além das estratégias delineadas por Brejnev ou mesmo por Estaline. E isso é algo de novo e de preocupante.
A quinta questão – e que é inultrapassável – consiste no facto de que o Ocidente jamais poderá negociar que não tentará apoiar regimes democráticos na Europa de Leste, bem como movimentos a favor dos direitos humanos na própria Rússia, ainda que tal seja considerado atentatório da segurança nacional pela nomenclatura moscovita. Tal será sempre inegociável. Se para a Rússia do Senhor Putin se considerar em segurança em relação ao Ocidente é preciso que o mesmo Ocidente renuncie à defesa da democracia na Europa de Leste e na Rússia, então a questão não está na existência da NATO.
O perigo para Putin não se chama NATO.
O perigo para Putin chama-se DEMOCRACIA.
E esta é a verdade insofismável que alguns pretendem iludir.
Nem mais, nem menos…
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