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Ambição de Zero Emissões

José Manuel Fernandes

Eurodeputado, Professor e Político Português

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Na União Europeia, aprovámos um objetivo ambicioso: a redução das emissões em 55% até 2030 em comparação com os níveis de 1990 e a neutralidade carbónica em 2050. A UE é responsável por apenas 8% das emissões à escala global. No entanto, ainda que a sua responsabilidade seja limitada, tem a obrigação de ser líder, farol e exemplo à escala global. Na UE, o combate às alterações climáticas deveria originar uma transformação gradual e tranquila. Corre o risco de ser uma revolução, dificultando a concretização das ações que possibilitem a realização das metas e objetivos climáticas a que nos comprometemos.
A UE tem de exigir reciprocidade. Para além de se exigir uma concorrência leal, não se pode permitir a fuga de carbono, ou seja, a deslocalização da nossa indústria para países terceiros que tenham normas menos ambiciosas. Pó isso, é de saudar o mecanismo de ajustamento de carbono nas fronteiras que vai taxar alguns produtos e matérias-primas que entram na UE vindos de países que não têm os exigentes standards ambientais europeus.
A solidariedade implica sustentabilidade ambiental, económica e social. As gerações futuras merecem viver com qualidade de vida num planeta que tem limites. Para atingirmos os objetivos climáticos teremos árduos desafios a ultrapassar. Há emprego que será destruído, o preço dos transportes, da energia e matérias-primas vão aumentar. Em simultâneo, teremos novos empregos e a necessidade de novas competências técnicas. A investigação, a inovação, a educação, as empresas, as universidades, os agricultores, todos sem excepção terão de estar juntos na execução de um plano comum.
Há que falar verdade aos cidadãos. Não se atingem objetivos no curto prazo, não se conseguem carros elétricos ou a hidrogénio de repente, não se podem fechar refinarias sem termos matérias-primas alternativas, os aviões e os navios não terão de repente combustíveis ‘amigos’ do ambiente, os edifícios não melhoram a sua eficiência energética no imediato, a implantação de um estratégia florestal, novos sumidouros de carbono demoram a ser concretizados.
Há que atuar com transparência para se evitar que à boleia de objetivos climáticos que todos defendemos se façam jogadas e negócios nebulosos. O desafio é enormíssimo. Temos de atingir os objetivos climáticos mantendo, em simultâneo, a competitividade e a coesão territorial económica e social da UE.
Para que a transição seja justa exige-se planeamento, bom senso e gradualismo.
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